
Eu não vou escrever pela trigésima vez sobre gostar de alguém. E tentar metaforizar um cheiro, um olhar, uma frase. E tentar descrever minha dor só para dar a ele algum patamar mais interessante do que a simplicidade de uma simples dor. E tentar supervalorizar minha alegria, só para dar a ele um gosto de vitória como se jamais fosse cotidiano ser feliz. Não posso mais emprestar mistério ao vazio, vida ao oco, esperança ao defunto, saliva ao seco. Não posso mais emprestar meus desejos para que pessoas se tornem desejáveis. E, finalmente, não posso mais inventar amor só para poder falar dele. Quero me desafiar a fazer algo muito mais difícil. Quero não sentir nada.
quero descansar meu coração de saco cheio das minhas invenções e precisando se preparar para viver algo de verdade. *;
quero descansar meu coração de saco cheio das minhas invenções e precisando se preparar para viver algo de verdade. *;

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